sem espaço
Eu sonhei com o amor da minha vida. Nesse sonho nós éramos muito parecidos em tudo, quase como se fosse minha personalidade clone mas num corpo masculino. Nos divertíamos até tarde discutindo teorias filosóficas, o mundo contemporâneo e fatalidade da vida. Nossos melhores dias eram preenchidos com caça-palavras, sudokus, filmes cult, músicas diferentonas. Quantas declarações de amor profundas, flores, estudos sobre O Livro dos Siths.
Acontece que após sonhar com o amor da minha vida, eu o conheci. Uma certeza me veio tão forte que não houve espaço para duvidar que era ele. Mas acontece que ele era muito diferente dos sonhos. Ele não era tão interessado em filosofia ou assuntos profundos, não sabia fazer sudoku, não conhecia Star Wars, gostava de música chinesa que eu nunca nem imaginava que existia. No lugar de filmes cults ele me apresentou seu filme favorito, a animação Robôs. Por muito tempo ele achou que "self service" era "serve serve" e só de pensar nessas e em outras curiosidades sobre ele (eu poderia passar o dia falando sobre cada uma delas) eu dou risada e penso no quão sortuda eu sou por ele ser o amor da minha vida, e não um espelho que eu havia sonhado pra mim mesma.
É que na realidade, meu sonho era muito bom, modéstia a parte. Mas ele faz o sonho parecer tão pouco perto da realidade. Ele tem defeitos, coisas que eu detesto e que queria muito que não existissem, só que se esse é o preço que se paga para ter uma pessoa dessas ao lado eu pago até em consórcio vitalício, só para não correr o risco de passar um dia sequer da minha vida sem a presença dele ao lado.
Eu sonhava com um Sith e recebi um Jedi; flores e recebi um jardim; um antenado e recebi um cuidador. Acontece que um Sith não seria um abraçador tão bom quanto um Jedi pode ser, e flores são muito mais bonitas quando estão no jardim, e um cara que sabe de tudo não chega aos pés do cara que só quer saber tudo de você.
O "amor da minha vida" que eu sonhava tinha lacunas, já esse é tão completo que chamarei de "amordaminhavida", aí não sobra espaço para mais nada.
Comentários
Postar um comentário