queria não entender, mas eu entendo
Tem dias em que tudo o que mais quero é ficar na minha cama, fechada, enrolada no cobertor e chorando. Uma coisa boa da minha ansiedade eu reconheço, durante muito tempo é ela quem me faz levantar, abrir as janelas, escovar os dentes e estudar ou fazer qualquer outra coisa que eu precise ou queira fazer. Já cheguei até a pensar no que seria de mim sem ela mas, sinceramente, eu seria muito melhor.
Final de semana passado, durante a madrugada, tive uma crise horrível e cogitei acordar minha mãe para que ela me levasse ao hospital. Eu achei que estivesse tendo um infarto, me senti quase morta. Sintomas aleatórios começaram a aparecer só para me confundir ainda mais, meu braço esquerdo doía muito, meu coração pulava pela boca e eu mal conseguia respirar, quer dizer, eu estava hiperventilando e isso fazia com que eu me sentisse sem ar. A ansiedade queria que eu me levantasse e buscasse ajuda médica, ela me fazia pensar constantemente sobre o fato de eu estar morrendo e isso era horrível porque eu tinha muitas coisas para fazer ainda, afinal, quem mandou eu deixar algumas tarefas para o dia seguinte, não é mesmo? Mas aí, entra a depressão e a história toma uma proporção um pouco diferente. Ao mesmo tempo em que eu me assustava com a possibilidade de morrer, a depressão me lembrava que isso poderia ser bom, não haveria motivos para eu me sentir responsável e eu não seria julgada como uma pessoa fraca e egoísta. Me lembrei de Sócrates e o princípio da ignorância, não há um ser humano vivo para dizer como a morte realmente é e o que vem após. Eu poderia me surpreender, eu poderia ter tudo como poderia ter nada. Mas me conformei e, no meio de muito choro abafado -não queria que minha família presenciasse isso-, me veio a paz que eu precisava. Me enganei ao pensar que eu realmente tinha me acalmado. Não deu muito tempo para a ansiedade voltar e fazer eu me sentir culpada por acolher a morte, ela tem esse poder de fazer com que eu me sinta ingrata.
E ali, naquela madrugada, eu me vi sozinha. E o pior tipo de solidão é aquele onde você sabe que existem pessoas ao seu redor para te ajudar ou simplesmente estar ali, mas ainda assim você se sente sozinho pois acredita que não há no mundo uma alma capaz de te entender.
Mas eu te entendo.
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