3943 dias se passaram e eu não me acostumei com a sua ausência, com o silêncio e cheiro incomum que a sua partida deixou. Busco conforto perto da natureza porque, de alguma forma estranha, sinto que você está lá. Engraçado como não aproveitamos certos momentos mas, no fim das contas, daríamos tudo para que voltar lá e viver cada segundo novamente. Algumas memórias não podem ser criadas, então temos que nos acostumar com o fato de que foi e não será mais. A saudade pode amargar o mais doce coração, pois uma pessoa que vive de saudade, vive a vida de outro. Quando alguém muito querido se vai, leva uma parte nossa, uma parte muito difícil de ser substituída, a possibilidade de um novo encontro. E por isso é tão complicado seguir em frente, porque no fim das contas, a lembrança e a saudade são as únicas formas de permanecer com aquela pessoa. Aceitamos levar uma vida melancólica e distante, por medo de romper um laço que não existe mais, mas que é a prova de um dia existiu. De certa forma, é um processo esperançoso, pois nos remete a ideia de que quando o tempo deixar de ser necessário e as dualidades parecerem bem mais complexas, um presente nos será dado, a possibilidade de nunca mais sentir saudade. Estarão todos lá, finalmente. Mas não podemos nos enganar, eles querem que a gente demore, eles precisam arrumar tudo para a nossa chegada.
queria não entender, mas eu entendo
Tem dias em que tudo o que mais quero é ficar na minha cama, fechada, enrolada no cobertor e chorando. Uma coisa boa da minha ansiedade eu reconheço, durante muito tempo é ela quem me faz levantar, abrir as janelas, escovar os dentes e estudar ou fazer qualquer outra coisa que eu precise ou queira fazer. Já cheguei até a pensar no que seria de mim sem ela mas, sinceramente, eu seria muito melhor. Final de semana passado, durante a madrugada, tive uma crise horrível e cogitei acordar minha mãe para que ela me levasse ao hospital. Eu achei que estivesse tendo um infarto, me senti quase morta. Sintomas aleatórios começaram a aparecer só para me confundir ainda mais, meu braço esquerdo doía muito, meu coração pulava pela boca e eu mal conseguia respirar, quer dizer, eu estava hiperventilando e isso fazia com que eu me sentisse sem ar. A ansiedade queria que eu me levantasse e buscasse ajuda médica, ela me fazia pensar constantemente sobre o fato de eu estar morrendo e isso era horrível por...
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