A falsa vida que a gente quer.

Minha vida sempre foi um tanto quanto conturbada, inclusive minha relação com a minha mãe. Durante muito tempo senti falta de conversas, apoios, essas coisas que vemos na televisão. sabe? Agora, caminhando ao amadurecimento, percebi que minha frustração se deu por conta da idealização. É um perigo colocar expectativa, idealizar o outro. Primeiro porque nem a gente consegue ser perfeito, então porque esperar isso de outrem? E outra porque nossas expectativas nunca são fiéis a realidade, isso porque muitas de nossas vontades vêm de um mundo virtual. Quando nos aborrecemos ao comparar nossa família com a do comercial de margarina ou Coca-Cola, por exemplo, estamos sendo cruéis, já que tudo ali provém de um cenário combinado, foi tudo ensaiado, planejado. Sabemos que, na realidade, a vida não funciona assim. Não temos tempo, e sequer direito, de convocar as pessoas e chamar para um ensaio para a ceia de Natal, entende? Até porque, qual essência esse momento transmitiria? As coisas não são lá um exemplo de genuinidade se ensaiadas. Aposto que você já se chateou porque seu companheiro, no meio de uma briga, não agiu como aquele mocinho do seu filme favorito de romance, ou porque ele não te fez uma surpresa daquelas na aula de educação física como Patrick Verona, encenado por Heath Ledger, em "10 coisas que odeio em você". Se não tivéssemos histórias de amor de tirar o fôlego, friamente elaboradas, no que iríamos nos apoiar para decidir o que é amor ou não?

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