Nota esquecida em um canto qualquer...

Tempo, tempo, tempo... Por que és tão alheio?

Por que é tão difícil perceber que quando mais te quero, é quando mais te tenho?
Horrível é a sensação de ver-te esvaindo-se pelas palmas de minhas mãos.
Nem o relógio tem controle sobre ti, oh espírito aloprado.

Como podem dividir-te em anos, minutos, segundos ou séculos?
A cada dia, insistes em passar como queres.
Horas viram séculos,
Quando dias viram segundos.

Ando precisando de ti, oh tempo.
Mas quando arranjarei um tempo para você, meu caro?!
És irônico.
Quando és o agora, já deixas de ser.

Imprevisível tu és.
Imprescindível serás, sempre.
Não temos o controle sobre ti.
Mas é uma pena, teres o controle sobre todos nós.

Impiedoso e passageiro.
Mas tão eterno quanto cada um de nós.
Ás vezes, ao nosso favor.
Ás vezes, é o nosso pró.

Quanto tempo o tempo tem?
Não sei ao certo.
Só sei que é muito.
Ou será pouco?

Será que és infinito?
Ou se vai com cada um de nós?
É presente?
Ou passado?

Cansativo e necessário.
Desejado e desperdiçado.
Almejado por muitos.
Mas ninguém de fato o conquista.


És o dono de tudo,
E de todos.
Temido pela morte.
Tão aguardado pela vida.

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